quarta-feira, 9 de março de 2016

o dia depois do mesmo...e assim por diante

Não é realmente uma pena que não possamos ter certeza nem da morte...
Eu que já nasci na década pré-pós-tudo me pego pensando que de mais a mais não há nada que realmente se sustente, e eu...eu acho é pouco...vivo de ouvido colado na parede do futuro e acho realmente fantástico que possamos driblar tudo...é lindo, como assistir gente confinada sob o olhar constante, cruel e lento do grande irmão, e mais fantástico, o grande irmão sou eu...E isso não para, é possibilidade que não acaba, são coisas que nem os pioneiros da Marvel e DC imaginariam, clones, curas, congelamentos tudo em promoção, e a xepa dos acontecimentos ainda pode ser apanhada em TVs de 352 polegadas, que você compra pela bagatela de um compromisso mensal de parcelas vitalícias...E eu preocupada em não conseguir deixar minha coluna ereta, enquanto o mundo quer que minha coluna se foda, pois o importante mesmo é o conteúdo seguro de próteses mamárias perfeitas indicadas pelo Dr. Vocepodeseroqueesperamquevoceseja.com...sei lá, não posso parar de agradecer, tem tanta gente morrendo, sefrendo das mais diversas mazelas, preconceito de gênero, número e grau, tanta gente sem nada, sem um gato pra puxar pelo rabo e eu, ah! eu tenho meus problemas, mas sou abençoada pela diversidade de mercado, ilusões, consumo, tudo de mais real, porque abstração não existe, intelectualização não existe, o que existe é o que precisa ser olhado, tem peso, e custa...Ai, que acho tudo uma grande bobagem, nada que eu digo se escreve, muito menos se lê...mas é o que tem para o momento...

terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março, dia de algumas mulheres!

Que guerra é essa que está levando nossas mulheres?

Silenciosamente, sem que elas possam se defender, a guerra se entranha em suas casas sob o disfarce de amor ou as confronta nos caminhos por onde ensaiam seus passos de ser mulher, tornar-se mulher, e morrer-se por isso.

Que guerra é essa que não dá a chance a mulheres que nasceram no corpo oposto, e que por isso viveram tanto sofrimento, de olharem-se no espelho e se reconhecem.

Que guerra é essa que demoniza mulheres que amam mulheres e ridiculariza a mulher que tem o coração disposto para homens e mulheres.

Que guerra é essa que pune a mulher que tem o filho ou a filha com a desigualdade e a miséria, e a que não quer ter o filho ou a filha com o desprezo e a invisibilidade.

Que guerra é essa que não permite a mulher mãe que beije a testa dos filhos ou filhas e diga adeus dando-lhes motivos justo para sua morte no front.

Que guerra é essa que mata a mulher e escolhe matar mais a mulher negra.

A guerra é dura, e lutamos sem armas, lutamos com a voz e com o corpo, lutamos pelo corpo e pela dignidade.

A história mancha a memória  e das vencidas, a história esconde a vitória das guerreiras.

Tapem-nos com burcas, mutile-nos e castre-nos, diga que não podemos, a guerra dói mas dilata o orgulho, cale-nos, sufoque-nos o grito a mão rude, nenhuma mulher cairá em vão, nós não cairemos em vão, deitaremos nossos  corpos doridos sobre a terra e seremos absorvidas como alimento, e dessa terra fêmea  nascerão outras mais fortes que empoderadas terão o grito maior que o nosso, pois este virá encarnado também do nosso grito, já ao nascer, ao primeiro fôlego bradarão vitória e dirão ao que vieram.

Não nos intimidemos irmãs, sonhemos com isso porque em nossos sonhos a opressão não entra, mas antes lembremo-nos que a guerra não fez  abortar as mulheres guerreiras que por nós lutaram, gritemos por elas, gritemos por todas, unamos nossos gritos, e façamo-nos ouvir no futuro.


segunda-feira, 7 de março de 2016

Ao homem que não acordou

O dia já vem nascendo
O trabalho já vem rompendo
Mas o despertador não tocou
Acordamos os três atrasados
Mas você não levantou
Ela fez o café
Ele vestiu o uniforme
Eu toquei a canção do dia
Até encordoei o violão
Que você nunca tocou
Tudo por não saber acertar o despertador
Ora!
Isso não se faz
Não levantar pro trabalho
Não tomar o café quente
Não nos levar pra escola
Não tocar as cordas novas
Não sorrir pra quem te ama
Endurecer para vida
Não lembrar que esqueceu
O pior
É que a gente ainda atrasa
Esperando que acorde
Pra tomar o que é seu
Mas o dia já vem nascendo
O trabalho já vem rompendo
Seu café já esfriou
Passou o tempo da escola
O violão empenado

E o despertador não tocou.