Que guerra é essa que está levando nossas mulheres?
Silenciosamente, sem que elas possam se defender, a guerra
se entranha em suas casas sob o disfarce de amor ou as confronta nos caminhos
por onde ensaiam seus passos de ser mulher, tornar-se mulher, e morrer-se por
isso.
Que guerra é essa que não dá a chance a mulheres que
nasceram no corpo oposto, e que por isso viveram tanto sofrimento, de
olharem-se no espelho e se reconhecem.
Que guerra é essa que demoniza mulheres que amam mulheres e ridiculariza a mulher que tem o coração
disposto para homens e mulheres.
Que guerra é essa que pune a mulher que tem o filho ou a filha com a
desigualdade e a miséria, e a que não quer ter o filho ou a filha com o desprezo e a invisibilidade.
Que guerra é essa que não permite a mulher mãe que beije a
testa dos filhos ou filhas e diga adeus dando-lhes motivos justo para sua morte no front.
Que guerra é essa que mata a mulher e escolhe matar mais a
mulher negra.
A guerra é dura, e lutamos sem armas, lutamos com a voz e com o corpo, lutamos pelo corpo e pela dignidade.
A história mancha a memória e das vencidas, a história esconde a vitória das guerreiras.
Tapem-nos com burcas, mutile-nos e castre-nos, diga que não
podemos, a guerra dói mas dilata o orgulho, cale-nos, sufoque-nos o grito a mão
rude, nenhuma mulher cairá em vão, nós não cairemos em vão, deitaremos nossos corpos doridos sobre a
terra e seremos absorvidas como alimento, e dessa terra fêmea nascerão outras mais fortes que empoderadas
terão o grito maior que o nosso, pois este virá encarnado também do nosso grito, já ao nascer, ao primeiro fôlego bradarão vitória e dirão ao que
vieram.
Não nos intimidemos irmãs, sonhemos com isso porque em
nossos sonhos a opressão não entra, mas antes lembremo-nos que a guerra não fez abortar as mulheres guerreiras que por nós lutaram, gritemos por elas, gritemos por todas, unamos nossos gritos, e façamo-nos ouvir no futuro.
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