terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março, dia de algumas mulheres!

Que guerra é essa que está levando nossas mulheres?

Silenciosamente, sem que elas possam se defender, a guerra se entranha em suas casas sob o disfarce de amor ou as confronta nos caminhos por onde ensaiam seus passos de ser mulher, tornar-se mulher, e morrer-se por isso.

Que guerra é essa que não dá a chance a mulheres que nasceram no corpo oposto, e que por isso viveram tanto sofrimento, de olharem-se no espelho e se reconhecem.

Que guerra é essa que demoniza mulheres que amam mulheres e ridiculariza a mulher que tem o coração disposto para homens e mulheres.

Que guerra é essa que pune a mulher que tem o filho ou a filha com a desigualdade e a miséria, e a que não quer ter o filho ou a filha com o desprezo e a invisibilidade.

Que guerra é essa que não permite a mulher mãe que beije a testa dos filhos ou filhas e diga adeus dando-lhes motivos justo para sua morte no front.

Que guerra é essa que mata a mulher e escolhe matar mais a mulher negra.

A guerra é dura, e lutamos sem armas, lutamos com a voz e com o corpo, lutamos pelo corpo e pela dignidade.

A história mancha a memória  e das vencidas, a história esconde a vitória das guerreiras.

Tapem-nos com burcas, mutile-nos e castre-nos, diga que não podemos, a guerra dói mas dilata o orgulho, cale-nos, sufoque-nos o grito a mão rude, nenhuma mulher cairá em vão, nós não cairemos em vão, deitaremos nossos  corpos doridos sobre a terra e seremos absorvidas como alimento, e dessa terra fêmea  nascerão outras mais fortes que empoderadas terão o grito maior que o nosso, pois este virá encarnado também do nosso grito, já ao nascer, ao primeiro fôlego bradarão vitória e dirão ao que vieram.

Não nos intimidemos irmãs, sonhemos com isso porque em nossos sonhos a opressão não entra, mas antes lembremo-nos que a guerra não fez  abortar as mulheres guerreiras que por nós lutaram, gritemos por elas, gritemos por todas, unamos nossos gritos, e façamo-nos ouvir no futuro.


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